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Geração Y: quais os desafios da escola com os pais dessa geração?

Parece meio clichê dizer, mas o tempo está passando rápido demais! Percebemos isso ao ver que boa parte das crianças do jardim de infância, dos primeiros anos escolares, são frutos da jovem Geração Y. Com esse novo público matriculando seus filhos, chega-se à questão: será que sua escola está preparada para atender a ambos os públicos?

Olhando os dados do Censo de 2010, do IBGE, percebemos que é preciso olhar com carinho para essas mudanças. Sabia que a Geração Y, naquela época, representava 36% da população nacional? Os nascidos na década de 80 e meados de 90 já somavam 68 milhões de pessoas.

Acompanhar os hiperconectados exige que você e sua instituição conheça as diferentes demandas, de acordo com cada perfil. Mas não é só sair modernizando tudo, pois é preciso entender o que os pais das diversas gerações esperam das escolas. 

Será que os interesses das diversas gerações são semelhantes ou diferentes nas expectativas com a escola?

Para responder a essa e a outras perguntas, a ClassApp avaliou as principais expectativas das famílias no processo educativo. A pesquisa envolveu 27 mil pais, de mais de 60 escolas particulares distribuídas por todo o território nacional. Desse número, mais de 4 mil pais responderam questões sobre suas expectativas com a escola. 

No decorrer da série “Escola e Geração Y: como tornar essa relação efetiva?”, veja os relevantes resultados dessa inédita pesquisa. Para entender melhor as gerações, veja o quadro que ilustra e identifica melhor as gerações definidas por estudiosos:

 

Embate ou diálogo entre as gerações X e Y?

É inegável que a Geração X teve fundamental papel no desenvolvimento e na forma como se organiza a atual sociedade. Ela influenciou inclusive no comportamento da Geração Y. O professor da área de Administração, Mauro de Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP), abordou as diferenças entre as gerações, mostradas no quadro.

Oliveira destacou o anseio dos mais jovens por mais interatividade. Na prática, esse desejo se traduz pelo uso constante da internet e pelo valor dado à inovação. Incluindo também a negativa de passividade frente às novidades.

É preciso entender melhor a demanda das famílias modernas para que as ações da escola sejam mais assertivas. Ricardo Corrêa, CEO da empresa Ramper, especializada em processos de automação para prospecção de clientes, comenta o assunto. Ele diz existir características essenciais das gerações que devem ser consideradas.

 

A geração X busca segurança e estabilidade no trabalho. Essa é uma caraterística compreensível quando analisamos o cenário que essas pessoas se desenvolveram. Muitos vieram de famílias pobres e precisaram conquistar por conta os primeiros bens”, pontuou.

Ele contextualiza: “o mercado de trabalho era mais escasso, por isso o objetivo era conquistar o emprego em empresas renomadas”. O intuito era alcançar estabilidade no curto prazo e plano de carreira, com aposentadoria tranquila ao fim.

Você deve estar pensando em como esse perfil se relaciona com os pais da Geração X em sua escola. As demandas deles podem ser um pouco diferentes, concorda?

Quais são as expectativas dos pais?

Isso porque a nova geração, no entanto, “valoriza muito menos isso, até porque o cenário econômico é mais favorável. Sendo que o mercado de trabalho oferece uma gama muito maior de oportunidades”, conforme pontuou o CEO.

Mais que status ou remuneração alta, essa geração quer se sentir parte tanto do processo, quanto da identidade da empresa. Em outras palavras, as pessoas querem trabalhar em causas e projetos que elas acreditam.

Na pesquisa realizada, as perguntas incluíram também sobre quais são os valores que os pais, sejam da Geração X ou Y, mais preservam em uma escola. Veja abaixo os itens que foram relacionados para que eles selecionassem os 5 mais importantes.

  • Excelente ensino de Inglês;
  • Excelente material de ensino;
  • Excelente educação de valores morais e éticos;
  • Excelente educação de habilidades socioemocionais;
  • Excelente educação alimentar;
  • Excelente Educação Física e estímulo ao esporte;
  • Excelente performance acadêmica dos alunos;
  • Alto investimento na qualificação da equipe pedagógica;
  • Excelentes laboratórios, bibliotecas e infraestrutura de ensino;
  • Localização próxima à sua casa ou ao seu trabalho;
  • Cuidado e atenção pessoal com seu filho(a);
  • Infraestrutura ampla e contato com a natureza;
  • Escola com procedimentos simples, práticos e inteligentes para os pais;
  • Relacionamento próximo e participativo com pais e alunos;
  • Informações e comunicação frequentes das atividades pedagógicas;
  • Formação de alunos empreendedores;
  • Formação de alunos responsáveis e disciplinados;
  • Investimento em tecnologias educacionais.

Em contrapartida, também foram apresentados os pontos que mais desgastam a relação com a escola. Das 10 opções, os pais tiveram que escolher as 5 piores.

  • Localização distante de sua casa ou de seu trabalho;
  • Tratamento impessoal ou falta de atenção com seu filho(a);
  • Infraestrutura inadequada e poucos espaços abertos;
  • Falta de qualificação de professores e/ou equipe desatualizada;
  • Pouca abertura para relacionamento com aqueles que atuam diretamente com seu filho(a);
  • Procedimentos burocráticos, lentos e ineficazes para os pais;
  • Atividades pedagógicas pouco divulgadas ou com informações incompletas;
  • Falta de organização e disciplina, com excesso de liberdade;
  • Falta de investimento em tecnologias educacionais;
  • Alimentação não saudável e/ou cardápio inadequado.

Você consegue imaginar quais foram os itens mais selecionados? O que você costuma ressaltar em sua escola?

Resposta em ritmo acelerado

Mas será que a forma como esse público se comporta no trabalho influencia em sua escola? Pesquisas apontam que sim! Pois seja na escolha de produtos e serviços para si, ou decisão de uma instituição ou outra de ensino, o perfil pode influenciar.

Esse dado foi baseado no levantamento do Ateliê de Pesquisa Organizacional com gestores, por meio do Hay Group. Na pesquisa, 76% dos nascidos nas décadas de 80 e 90 estão propensos a querer respostas imediatas ou o mais rápido possível para suas demandas em geral.

Para Corrêa, essa característica é reflexo da facilidade no acesso à informação. “Gerações anteriores levavam dias ou semanas para receber uma informação, seja por carta, jornal, telegrama ou até mesmo telefone. Hoje as informações são em tempo real“, argumenta o CEO.

 

Esse fluxo inclui notícias mundiais e acontecimentos nos círculos de convívio. Ele reforça ainda que a velocidade do processamento da informação também é muito mais rápida atualmente.

Tentar oferecer serviços da mesma forma que se fazia há 20 anos é, como dizem, ‘um tiro no pé’. Principalmente no relacionamento das instituições de ensino com os pais dos alunos.

Mas não se desespere! Respire fundo, que tudo pode ser feito com muita calma. A intenção é conciliar os interesses e respeitar os limites das diversas gerações atendidas pela instituição. “As novas tecnologias democratizaram a maneira como as pessoas se comunicam e se relacionam. São essas pessoas que dão o tom”, pontuou Corrêa.

Dentre os exemplos, ele menciona as escolas que trocaram meios analógicos (agendas), por digitais, como o WhatsApp, para comunicação. Nesse sentido ele alerta para os riscos e os impactos que esse novo formato pode trazer na vida da comunidade escolar.

Comunicação com pais conectados

Acho que se você, assim como eu, pensar na comunicação escolar de nossa infância, com certeza se lembrará da agenda escolar ou do caderninho de recados. E quando o telefone se popularizou, muitos contatos eram feitos por ligações, não é mesmo?

Mas hoje em dia esses meios parecem não surtir o mesmo efeito de antigamente. Tanto os pais como as escolas sentem dificuldades em integrar as novas realidades ao dia a dia escolar. Será possível conciliar o corre-corre dessa nova geração à rotina escolar? É tarefa impossível ter pais mais presentes? 

O analista em Marketing Digital da ClassApp – empresa que oferece comunicação escolar especializada por meio de um aplicativo-, Brian Tong, acredita que apesar de a geração ter mudado, a necessidade de bons relacionamentos continua a mesma de antes.

“É preciso respeito e comprometimento de ambas as partes. Pois para um relacionamento saudável é necessário trabalhar um pilar essencial: a comunicação. O público está mudando e a escola precisa se adequar e evitar ruídos. Quanto mais ruídos, mais frustrados os pais se sentem. Isso não é bom para nenhuma dos envolvidos porque desgasta esse elo”, explicou o analista.

 

Ele explica que o ClassApp visa também atender às novas demandas desse público crescente. Principalmente porque os avanços na tecnologia têm imenso potencial em melhorar a comunicação.  “Isso faz parte da missão da empresa. Queremos suprir o anseio dos pais em participar mais ativamente da vida dos filhos, mesmo que falte tempo“, disse.

Para ele, “o diretor também está vivendo nesta nova era, com comunicação mais rápida. Nela, as pessoas têm acesso às formas mais eficientes de se comunicar. Por isso é fundamental se adaptar às demandas das famílias. Essas, por sua vez, querem rapidez para receber e propagar as informações”, destaca Tong.

Você consegue pensar quais os principais diferenciais e dificuldades na relação com a escola? Deixe seu comentário abaixo e não perca os próximos capítulos! 

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